terça-feira, 29 de setembro de 2009

Chyara

A água gelada acaricia e acalma
Vai alisando pedras, modelando caminhos,
Na sua sinfonia de cristal torna-se silêncio:
Para envolver e ensopar de energia
A senhora das pedrarias no mergulho,
Penetra pelos poros e reentrâncias,
Enche de gozo a epiderme morena,
Torna-se vapor pelo desejo ardente,
Escorre pelas curvas da lapidada fêmea,
E volta ao leito mais água, mais quente.

Edman
29/09/09

sexta-feira, 17 de abril de 2009

d.C.

Passo a passo, compasso
No meu tempo de andar
Na vista panorâmica à altura
Do meu corpo empertigado
Ereto de homo sapiens
Sem lastro deixo meu rastro
Na silueta esguia da escrita
Talhada e lapidada de cuidado
Aprendo cores ante o cinza básico
No cinzel outrora encolhido
Dou formas ao monobloco
Sopro vida aos personagens
Das histórias que eu faço.

Edman
17/04/09

a.C.

Passos lentos, desalinhados
Olhar abaixo do horizonte
Na curva das costas
Carregando pesos amarrotados
Das roupas velhas carcomidas
De lembranças sem passado
Das pegadas não vistas
Pela curva de barriga abandonada
Vazia e repleta de abreviaturas
Enredos do óbvio fim
Da gordura saturada
Excessos sem excelências
Na maledicência de palavras sem brio
Escavadas no relevo baixo
De pedras lisas e empoeiradas

Edman
17/04/09

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Primavera da vez

Um pouco antes do final do ano
Um pouco depois do equinócio
Entre chuvas, nuvens,
Aberturas de sol dilacerantes,
Quedas de temperatura
Subidas bruscas do barômetro,
Leituras frescas de termômetro,
De camiseta com pulôver
De casaco com bermuda
Sandálias de galochas
Protetor solar pluvial
Nada é tão definitivo
Como esta indefinição:
Chora de alegria
Sorri de tanta dor;
Expansivo ao extremo do silêncio
Perspicaz na mira do olhar
Sou escorpiniano
Vejo de soslaio
O doce veneno dos mortais

Edman, obrigado pela lembrança
10/11/2008

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Outubro

Chove sem molhar
Sol sem esquentar
Frio sem machucar
Vento sem desfolhar
Flores para todo lado
Cores em todo canto
Perfumes do coito
Cheiros de amores
Vapores de encanto
Mês dos encontros

Edman
07/10/08

domingo, 7 de setembro de 2008

Nine

Adolescente morena
Carnuda mulher madura
Esta lua crescente em teu rosto
Sorri para meus olhos
Na gestação deste amor
Severa e brilhante
Chorosa saltitante
Tempero frisante
Das receitas do dia a dia
Das folias sem rotina
Das magias sem cortina
Descerrada dos padrões
Na fácil alegria de viver
Por entre rimas difíceis
Tua risada gostosa
Não me canso de ouvir
Tua risada, gostosa

Edman
07/09/08

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Passagem

Um respiro
E a vida muda por encanto
Muda tanto
Que feliz quem parte
Sob um aro triunfante
Halo íris
A vista de todos
Porta aberta
Colorido túnel do tempo
Saudando quem parte
Esperançando quem fica
Festejando sem pranto

Edman
29/08/08

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Morena

Oito infinito
Teu desejo afoito
Draga meu medo
Engole meu seco
Encharca meu coito
Quantas vezes de quatro
Muitas febres de luxo
Nesta vontade e refluxo
Nestes sons de tempos
Eu te conheço por dentro
Tu me reviras do avesso
Quando exclamas o gozo
Gira os olhos sem jeito
Reclamas de mais movimento
Sugo com fome teus peitos
Adentro teus profundos pensamentos...

Edman Izipetto
07/08/2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

À distância

Fossem os dias tão secos
E este ar sem umidade
Meus olhos vermelhos
Entregariam minha saudade
Passados muitos dias
Poucas horas na verdade
Não sei se o frio que sinto
É do bafo polar que a cidade invade
Ou da falta dos seus dedos
Nos meus cabelos
A desembaraçar minhas vontades

Edman Izipetto
10/07/08

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sete vezes

Não há pecado que não valha a pena
Nem virtude que não se desafie
Nem arte que não desperte a divindade
Nem energia que não ative um dos chakras
No prisma as cores despem-se
Ao som das notas que se repetem
Durante uma semana decantada
No mundo antigo cada dia é uma maravilha...
Vai procurar na Cabalah o que significa
A vitória sobre a morte
E nos escritos sagrados
O Deus dos Exércitos
Anuncia pelos Elementais
Que as taças do Egito
Serão servidas pelo vinho cíclico
Do mágico número

Edman Izipetto
07/07/2008