quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lígia

Menina da casa das bromélias
Das palafitas e parasitas
Dos tucanos e bugios
Dos meninos maluquinhos
Das garotas sem refil
Menina das coisinhas
Energias e afins

Edman
17/12/2009

Cinthia

Tantas palavras já lhe disse
Repetidas, embaralhadas, disfarçadas,
Atrevidas, esbugalhadas, requentadas,
Invertidas, embargadas, alteradas
Poucas coisas eu lhe dei
Que teu apurado gosto crítico
Aceitou sem um comentário cítrico
Algumas rosas já colhi
Pra te enfeitar pelas manhãs
Ainda falta a roseira
De botões da realeza
E a primavera de tom carmim
Ainda faltam versos
Vários contos e crônicas
Mas não falta romance
Ainda sobra paixão
Para buscar novas frases
Para garimpar novos presentes
Para te cobrir de mimos
Para te aquecer de beijos
Para te desejar sem razão

Edman
17/12/2009

Neive

Cuide das plantas
Muito bem cuidadinho
Um tantinho de atenção
Todo dia
Um bocadinho d’água
Pra mor não secá
Um puxadinho de prosa
Que ninguém saiba
Mas elas gostam de prosear
E um dia desses
Quando amanhece de repente
Assim num piscá de escuridão
Elas florescem

Edman
17/12/2009

Silvia

Senhora das guloseimas
Fã da D. Benta
Mestra na colher de pau
Refoga os sentidos
Aguça os olfatos
Repleta a mesa de quitutes
Deixa feliz os paladares
Com salgados finos
E doces espetaculares
Deixe este cheirinho de vontade
Inundar nossos olhares

Edman
17/12/2009

Dgmar

A guerreira Degue
De cabelos brancos
De histórias tantas
De trens esperando
Das músicas de antes
Do rádio de auditório
Continue sempre
A não se entregar em prantos
Mas a regar teu jardim
As tuas rosas colher
Às colheradas do domingo
Ao tacho de doce de abóbora
A manjar tuas mangas

Edman
17/12/2009

Li

Menina toma tua linha
Dos tempos de Chiquinha
Quando não gostava de estudar
Virou gerente, executa
Mas jamais deixe de brincar
Junte seus bonecos
Chame as amigas
Sirva chá virtual
Não some tanto para os outros
Não suma tanto de você

Edman
17/12/2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Chyara

A água gelada acaricia e acalma
Vai alisando pedras, modelando caminhos,
Na sua sinfonia de cristal torna-se silêncio:
Para envolver e ensopar de energia
A senhora das pedrarias no mergulho,
Penetra pelos poros e reentrâncias,
Enche de gozo a epiderme morena,
Torna-se vapor pelo desejo ardente,
Escorre pelas curvas da lapidada fêmea,
E volta ao leito mais água, mais quente.

Edman
29/09/09

sexta-feira, 17 de abril de 2009

d.C.

Passo a passo, compasso
No meu tempo de andar
Na vista panorâmica à altura
Do meu corpo empertigado
Ereto de homo sapiens
Sem lastro deixo meu rastro
Na silueta esguia da escrita
Talhada e lapidada de cuidado
Aprendo cores ante o cinza básico
No cinzel outrora encolhido
Dou formas ao monobloco
Sopro vida aos personagens
Das histórias que eu faço.

Edman
17/04/09

a.C.

Passos lentos, desalinhados
Olhar abaixo do horizonte
Na curva das costas
Carregando pesos amarrotados
Das roupas velhas carcomidas
De lembranças sem passado
Das pegadas não vistas
Pela curva de barriga abandonada
Vazia e repleta de abreviaturas
Enredos do óbvio fim
Da gordura saturada
Excessos sem excelências
Na maledicência de palavras sem brio
Escavadas no relevo baixo
De pedras lisas e empoeiradas

Edman
17/04/09

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Primavera da vez

Um pouco antes do final do ano
Um pouco depois do equinócio
Entre chuvas, nuvens,
Aberturas de sol dilacerantes,
Quedas de temperatura
Subidas bruscas do barômetro,
Leituras frescas de termômetro,
De camiseta com pulôver
De casaco com bermuda
Sandálias de galochas
Protetor solar pluvial
Nada é tão definitivo
Como esta indefinição:
Chora de alegria
Sorri de tanta dor;
Expansivo ao extremo do silêncio
Perspicaz na mira do olhar
Sou escorpiniano
Vejo de soslaio
O doce veneno dos mortais

Edman, obrigado pela lembrança
10/11/2008