quinta-feira, 15 de abril de 2004

Menina Sorriso

A face oculta
Mistérios árabes
Origens hebraicas
Traços germânicos
Temperos nordestinos;

A face revela
Olhares profundos,
Expressões místicas,
Vozes em cânticos
Perfumes idílicos;

Teu rosto
Nascido em agosto,
Ilumina todos os meses
Anuncia todas as estações
Aquece todas as manhãs
Aparece
Como um jeito de clarear,
Como uma maneira de se manifestar
E um sincero e largo sorriso.

Edman
15/04/2004

segunda-feira, 12 de abril de 2004

Se tudo parece difícil

Se tudo parece difícil,
Se os caminhos se apresentam
De uma maneira radical,
Não é para você se sentir mal,
Talvez seja apenas um momento,
De esperar um pouco à beira da estrada,
Porque parar também é um jeito
De seguir em frente;
Sorver uma deliciosa água,
Refrescar-se na pele,
Descansar a alma,
Repousar os músculos;
Desanuviar pensamentos;
Não importa o que foi feito,
Não interessa o que se deixou de fazer,
O passado é para refletir
Nunca para intervir;
A todo instante é um recomeço,
Levantar, sacudir os pós e contras,
Decidir continuar;
Difícil é ser triste
Sabendo da existência do teu olhar,
Difícil é não lutar
Para ver, todos os dias,
O teu sorriso me iluminar.

Edman
12/04/2004

segunda-feira, 29 de março de 2004

Outono

Chegou de mansinho,
Entre uma chuva e outra,
As folhas despediram-se do calor
Cobrindo-se de ferrugem.

Se o dia ainda teima, resiste,
A claridade queima, persiste,
À noite a temperatura amena, permite,
Um clima a dois, sem limites.

Mesmo que no comercial horário,
O cheiro da poluição prevaleça,
Nada de bom te aconteça,

Após este expediente hilário,
A brisa sul traz ares de “Provença”,
E a chama não deixará que nada a aborreça.

Edman
29/03/2004

segunda-feira, 8 de março de 2004

Um dia

Talvez seja pouco,

Talvez indiferente,
Algumas não gostam,
Disfarçam da maneira feminina
De dizer que não custa lembrar.

Talvez uma flor
Reflita a delicadeza da alma,
A maciez do carinho
Ou aquele olhar mansinho
Que nos deixa, homens,
Garotos novamente.

Quem sabe um mimo,
Seja ele de grife, seja de camelô,
Mas algo para materializar
Uma lembrança forçada
Já que o dia comercial se fez.

Será que palavras, cumprimentos,
Desde os sinceros aos politicamente
Incoerentes,
Bastam para expressar toda a atenção
Da qual vocês se fazem dignas
Simplesmente por existirem?

Não importa se lembrem ou não,
Se é um dia ou a eternidade,
Viver é uma celebração
E se o calendário facilita as coisas
Tem mais é que festejar mesmo,
Com delicadeza,
Com sensibilidade,
Com o toque de pétalas
Que toda mulher tem direito.

08/03/2004
Edman

sexta-feira, 17 de outubro de 2003

Maioridade II

Maioridade

Todas as nascidas sob o estigma da primavera
Vieram ao mundo para colori-lo;
Não é à toa – é a sabedoria de pé de ouvido –
Mesmo as que não tiveram este privilégio;
Assumem o “completei mais uma primavera”
Para refletirem que mais um ciclo foi cumprido.

Quando atingem o terceiro múltiplo de sete,
Já têm as raízes profundas,
Já buscam sozinhos os sais essenciais à vida;

Não despreze jamais as vidas mais antigas,
Não ignore as sombras que estas ainda lhe dividem;
Pois haverá muitos ciclos até que você possa substituí-las.

Maioridade é sabedoria, é conhecimento,
Discernimento de
Que caminhar junto é muito mais forte!


Edman


17/10/2003
Meu filho completa 21 anos, a palmeira imperial do fundo do quintal também. Ainda falta o livro...

sexta-feira, 8 de março de 1996

Dia cor de rosa

As conquistas evoluíram e,
Para alegria dos lojistas,
Decretaram mais um dia.
É o ano todo, afirmam as convictas,
É para conscientizar, dizem as políticas,
É para comemorar, dizem as festivas.
Mas que vocês têm um dia na mídia,
Ah, isso tem!
E se rosa lembra algo doméstico,
Então que outras tantas cores,
Fortes, leves, brilhantes ou dissimuladas,
Deixem esta sexta-feira diferente
De outra qualquer.
E nós, pobres machistas amedrontados,
Nem uma datinha sequer como lembrança,
Ficaremos
(Isso desde que o aconchego de ventre nos coloca no mundo)
Babando!

Edman
08/03/1996

quinta-feira, 25 de janeiro de 1990

Velas que não se apagam

Sol que nem chega a nascer,
Névoa natural, cada dia mais distante,
Poeira do trabalho, cada vez mais trágica,
Tuas artérias expelem,
Entupidas de colesterol e CO²
A vida que dá e sobra
Para o resto deste enfermo corpo.
Luzes reais, cada uma um universo
Desta salada cultural.
Uma pinga, uma cerveja ou whisky
Não importa o poder aquisitivo
Todas chegam ao final do dia,
Para esquecer, afastar ou lembrar
Que amanhã tudo repete!
Doce rotina, repetir
Mesmos caminhos, mesmos semáforos;
Mas a cada dia um novo mendigo,
Uma nova gata, um novo assalto,
Uma nova morte;
Nada é igual a ontem,
Será diferente amanhã?
Fina fumaça, escura e hidrocor,
Tinge o poente de nuanças diferentes;
Destrói a Atlântica mata
E rasga a Paulista avenida
Numa solitária azaléia.
Rios sujos, para que outros não morram,
Bueiros entupidos, os demais escorrem?
Edifícios cinzentos, onde estão os coloridos?
Nada que aqui aconteça não espalha,
Talvez demore, que o tempo tem seu prazo,
Mas quando chega
Macunaíma derruba resistências
E se torna verdade.
Verdade uma só:
As coisas não acontecem apenas
Na esquina famosa,
Em cada beco, travessa ou ruela,
Um gemido
Som da vida ou do adeus
Não importa,
Sinais vitais que a cidade respire,
Apesar dos narizes empinados,
Apesar dos cabisbaixos,
Apesar dos apressados.
Querida cidade,
Te amo como és!

Edman
25/01/90 escrita em Gramado RS, para São Paulo SP