domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sinuosa

Enfeitiça com o olhar sibilante
Sem fixar, de soslaio, sem deixar de ver,
Fogosa...
Enrosca-me em brasa marcante
Deixando sulcos no couro,
Respingados de suor e espumante;
Que a boca aguarda
Teu cheiro de fêmea jovem experiente,
Teu gosto de desejo e gozo
Escorre por entre minhas vontades,
Penetra em meus sentidos
Qual um somellier a degustar teus sabores;
Teus gemidos de sinos e guizos
Aguça meu ouvido musical,
Qual maestro a escutar seus tons
Na gargalha de prazer satisfeita;
Pronta para mais um desfile,
Pronta para mais um tremor de vida,
Para mais um repicar insano de vida.

Edman
07/02/2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Maria Inês

Da Costa dos Abreus
Dos Gomes de Sá
Dos Orleans e Bragança
Da fauna lusitana
Da fauna indígena
Dos bichos domésticos
Dos insetos decréptos
Dos roedores indigestos
Da boa taça
Da boa praça
Maria Inês
Da Graça da madrugada

Edman
17/12/2009

Cuca

Giratória de palavras
Roda Gigante de assuntos
Leque de páginas
Rolo de películas
Fome de consumo
Sede de soturno
Pés de noturno
Ouvidos de soprano
Sorriso de maluca
Idéias sãs
Pensamentos vãos
Cuca fresca
Coração caliente

Edman
17/12/2009

Ana Elisa

Arrume um jeito
Arrume as teles
Arrume os talheres
Arrume um baseado
Arrume um copião
Acenda a luz negra
Acenda a tela
Acenda a bela
Que o retrato captou
Ana dos clássicos
Elisa da brisa
Oriente da direção

Edman
17/12/2009

Solange

Tua voz grave
Alimenta os cartões
Os almoços mortais
Das rotinas semanais
Dos encontros de gravata
Dos vestidos de tayer
Nos jantares sem pauta
Libera a alma penada
Se aquece de piña colada
Para em sorriso se derreter
Mais Sol, menos Angel
Sempre guerreira

Edman
17/12/2009

Joe

Recolhe pedaços de histórias
De outras que passam
Flashes de inspiração
Cabides de decoração
Ferros retorcidos em deuses
Pedras talhadas em musas
Estantes em miniaturas
Cristaleiras de coloridas taças
Um auto-retrato sem autor
Um óleo sobre o prelo
Uma xilo sobre o velho
Um espelho para a moça
Que passeia de sombrinha
Atrás do guarda-louça

Edman
17/12/2009

Haroldo

Nas coisinhas da barraca
Na tenda das lembranças
Procura-se recordações
Da arte de antigamente
Em fazer dos objetos da casa
A utilidade da decoração
De candelabros barrocos
A oratórios pagãos
Um mosaico de passado
Um presente de emoções

Edman
17/12/2009

Maurício

Que conta é esta?
Não passe a régua:
O cálculo exato
Da humana indecisão
Não cabe no teorema
Do projeto à execução
Sob o ângulo do esquadro
O memorial é “indescritível”
O encanamento é elétrico
E a planta baixa é relevo

Edman
17/12/2009

Lígia

Menina da casa das bromélias
Das palafitas e parasitas
Dos tucanos e bugios
Dos meninos maluquinhos
Das garotas sem refil
Menina das coisinhas
Energias e afins

Edman
17/12/2009

Cinthia

Tantas palavras já lhe disse
Repetidas, embaralhadas, disfarçadas,
Atrevidas, esbugalhadas, requentadas,
Invertidas, embargadas, alteradas
Poucas coisas eu lhe dei
Que teu apurado gosto crítico
Aceitou sem um comentário cítrico
Algumas rosas já colhi
Pra te enfeitar pelas manhãs
Ainda falta a roseira
De botões da realeza
E a primavera de tom carmim
Ainda faltam versos
Vários contos e crônicas
Mas não falta romance
Ainda sobra paixão
Para buscar novas frases
Para garimpar novos presentes
Para te cobrir de mimos
Para te aquecer de beijos
Para te desejar sem razão

Edman
17/12/2009