segunda-feira, 31 de julho de 2006

Chá de sumiço

Não é por despeito,
Nem por deboche,
Que meu teclado fantoche,
Mouse e arsenais,
Não têm reproduzido sinais,
Emitido postais
E imagens que tais.

Foi a estiagem,
Que secou a fronte,
Empoeirou o monitor,
Ressecou as narinas,
Entupiu os ouvidos
E deixou o olhar avermelhado.

Bem vinda a chuva
Apesar do frio que a acompanhou,
Voltou para regar as palavras,
Descritas, discursivas e lavadas,
Saudando a volta da umidade
Que secura não é vida não.

31/07/2006
edman

segunda-feira, 12 de junho de 2006

E dia bão...

Não precisar temer,
O que de mal pode acontecer
Em se levar algumas flores,
Pétalas, cachos e cores
E sentir o sorriso no olhar
De quem ganhou a prenda,
De quem alimentou a lenda
De neste dia presentear!
Talvez chocolates, íntimas roupas,
Segundas as intenções,
Mais uma taça, algumas,
De um bom tinto,
A claridade de velas,
O instinto,
Fondue, lagosta ou fritas,
Acessórios ou acessíveis,
Dividir os olhares,
Retrucar os pudores,
Revidar as carícias,
Amar
O dia bão...

Edman 12/06/2006

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Anzol

Filete branco,
Crescente no poente,
Enfeita o início
Das noites frias
Ventos gelados
A limpar horizontes,
A sorrir novas fontes
Fisgando sentimentos
Antecipando dores
Que o inverno sempre trás.

Edman 02/06/06

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Quintal do mundo

Você lembra da goiabeira,
Você lembra do caqui,
Você lembra daquela cerca
Que nunca se partiu,
Teatro sem portão,
Marca de voador
O disco que no bairro pousou,
Caça de alienígenas,
Aulas no casarão,
Professoras, mães de alunos,
Nem sempre tão profundos,
Medalhas e blá blá blá,
Coisas pra se contar
Sem perder o nosso humor.
Você lembra da mangueira
Que nunca frutou,
Mas eu ainda sinto
Seu cheiro e sabor.
Abacateiro carregado
De taturanas,
Ameixeira com parcas
Amarelas e caroços,
Uvaias recheadas de coros,
E uma maçã que nem florir ousou.
Mas era nosso quintal,
Estrelas e balões
E o abrigo do porão.

Edman
12/05/2006, música João e Maria

sexta-feira, 31 de março de 2006

Outono tropical

Águas lavam o excesso de calor,
Águas levam o mormaço,
Mas leve é a mudança,
Imperceptível é o desembaraço;
As nuvens se encolhem,
Escorrem coloridas
No horizonte avermelhado,
É o contraste do quente dia,
Com a suave noite fria;
A claridade é compensada,
Pelas folhas enferrujadas,
Que batem no para-peito,
Aglomeram-se no leito,
Anunciando com seu som,
Trincando ao seu tom,
Gritando no compasso
Espantando as andorinhas,
Colorindo o poente,
Desenterrando os ternos,
Revelando as lãs,
Antecipando o inverno.

Edman
31/03/2006

quarta-feira, 8 de março de 2006

Hoje

Bem que tentei
Escrever alguns versos
Neste dia de março,
Mas fiquei matutando:
Para as loiras vou ter que explicar,
Para as morenas vou ter que me explicar.
As ruivas vão se fazer de indiferentes,
E as multicores, bem, com tanta matiz
Fica difícil uma rima feliz,
Então um monte de flores que é bem melhor
Que qualquer frase feita
Sob medida

Edman
08/03/2006

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Por que sofrer assim

Por que sofrer assim,
Se a fruta enjoa,
Se a água não apaga,
Se a única companhia
São os resmungos e resgardos;
Não quero mais,
Essa coisa que vem de dentro,
Que me azeda o sentimento,
Queima meus momentos,
Infla meu desejo
De saciar minha sede,
De morder minha pele
De tanta dor.
Não é apaixonite,
Eu preciso cuidar da minha gastrite...

Edman
03/02/2006

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Eu gosto de você...

Destino tem a ver com esquina,
Esquina sempre são caminhos,
Podemos ficar parados
Esperando que eles nos levem,
Podemos olhar para trás
E andar no seguro fictício do conhecido;
Mas decidir que caminho tomar,
Não precisa ser um drama,
Não necessita de tanta tremedeira,
Embora não dê para fugir daquele
Refrigério que o estômago nos revela,
É dos caminhos que escolhemos,
Em cada esquina que nos reserva,
Que nós traçamos o destino,
Seguramos na rédea,
Vivemos nossas pedras,
Mesmo que cheirem a margherita.

Edman
17/01/2005

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004

Marcas

             Depois daquela manhã,
            Após aquela despedida,
            Nunca mais sonhos rasgados,
            Nunca mais conversas cruzadas,
            Depois daquele aceno,
            Após aquele gesto,
            Nunca mais versos rogados,
            Nunca mais poemas truncados,
            Depois daqueles olhares,
            Após aquele toque,
            Nunca mais a vida vazia,
            Nunca mais monotonia,
            Depois daquele beijo,
            Após aquele afago,
            Nunca mais outros sabores,
            Nunca mais outros tatos,
            Depois daquele depois,
            Após aquele após,
            Nunca mais menos depois,
            Nunca mais, nunca mais,
            Sem bom dia meu amor.

Edman
16/12/2004

quarta-feira, 16 de junho de 2004

Nosso dia é 17

Todo dia,
Minha amada,
É tempo de namorar,
Porque não há razão alguma,
Nem mesmo distância maluca,
Que justifique o desencontro desse olhar;

Todo dia, toda hora,
Por que não?
Se teu rosto me inspira,
E o teu sorriso me aproxima,
Daquilo que acreditam o céu;

Todo dia,
Teu carinho me liberta
Da condição de ser mais um sobrevivente,
Teus cabelos amaciam
Minhas mãos duras por não dedilhar,
E tua boca me enche de vida,
Da vida que eu pedi a Deus;

Todo dia, meu amor,
Não importa a hora,
Se me desperta
Porque nunca é cedo demais para te ouvir,
Se me adormece,
Nunca será tão tarde o despertar para te ver,
Mesmo que o dia pareça interminável,
Mesmo que a noite se revele instável,
Saberei que ao ouvir “meu lindo”
As coisas tristes hão de se transformar,
Porque nos teus braços
Eu não sou uma pessoa qualquer:
Sou o homem desta grande mulher.

Edman
16/06/2004