terça-feira, 27 de maio de 2008

Oração dos homens ...

Que Deus ilumine as belas
De preferência no perfil
Para olhar para onde apontam
Seus instintos febris
Que elas continuem acreditando
Que seus pedidos mil
Estarão em nossas listas de desejos
E nas milhagens dos cartões afins
Que suas compras continuem a acontecer
Durante os tempos do futebol
Que seus milhares de cremes
Se resumam ao bloqueador de sol
Belas, belas, belas,
Sempre será linda a atual,
Mocréias e barangas
Que o passado as deixe na tranca
Que ex é sempre a mulher barbada
Mas a futura é sempre uma Jolie
Que seu pedido é uma ordem
Que eu vou tentar descumprir
Que seu guarda-roupa é modesto
Por mais itens que tenhas a decidir
Que o salto seja à altura
Da vontade de nos redimir
Que o buquê seja acompanhado
De champagne e foigrass
Que o vigésimo vestido
Seja o que vai usar
De todas as jóias que tens
Só a da vitrine é que vai combinar
E de discutir a relação
Bem na hora agá...

Bençãos, às feias recomendo um rosário...
SOCURI (Sociedade das Cuecas Resolvidas e Independentes)
27/05/2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

M...

Alimenta no ventre
O círculo da esperança
Esfera de vida
Circunferência pulsante
Planeta e estrela
Nova galáxia
A preencher o vazio
Da gestação solitária
Pela sua natureza de gerar
Cria eterna toda a cria
Sugada pelo seio
Desejada pelas paixões
Vela os primeiros passos
Noites de se fazer existir
Sente cada pensamento
Como uma gota de elixir
Leoa quando defende
Chorosa quando ausente
Uma vez parto nascente
Mãe para sempre

Edman Izipetto, um beijão para as mães
09/05/08

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Cinco

Palma aberta
Duas estações
Estrela
Pentagrama
Flor exótica
Começo de ano
Chuvas de pedras coloridas
Brilhos geométricos
Sinto
Meia dezena inteira
Na ponta dos dedos da mão
Todos os sentidos
Faz sentido

Edman Izipetto
07/05/2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Abraço

As garras desarmam-se
Recolhem-se da ponta dos dedos
Sobram calos e unhas polidas
Os braços alongam-se
Preparam o vôo sem penas
O planar sem tendas
Ou lonas de desafiar
Envolvem
Um ao outro
Protegem
Afagam
Confortam
Convidam para a vida
Apontam para o futuro
Afastam as amarras
Desamarram-se do passado
Vencem a batalha
Conquistam
Um abraço

Edman Izipetto, ótimo feriado “enforcado” para vocês...
18/04/08

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Números

Não bastam as combinações
De uma raiz quadrada
Elevada ao cubo
Se a conta de uma piscada
Nove foras
É a desilusão de um andar taciturno
Que soma é essa
Que diminui minha divisão
E multiplica a escuridão
Dos números primos
Rachados sem medo
E os inteiros positivos
Negativados pelo desprezo
Fraciona-se o indivisível
Comenta-se o teorema
Sem dizer um único pi
Calcula-se
Lápis de alcatrão
Logaritmos na madeira
Números da paixão

Edman Izipetto, sem a exatidão dos números infinitos...
09/04/08

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Abril

Abre a moda do ano
Não há água que chegue
Nem umidade que falte
Não se sabe se é frio
Quando esquenta
Ou se o calor aparenta
A indiferença da noite
Um vento gelado espanta
O resto de verão empacado
Em forma de nuvens vermelhas
Tingidas de níquel e rádio
Diversos metais pesados
Que ficam a espreitar, encostados,
No horizonte boreal
Fuligem nas gotas de orvalho
Deixam marcas nos vidros
Pegadas de sereno
Riscos das orgias sem recatos
Sulcos dos meses de alegria
A preparar sem fantasia
O terreno da invernada

Edman Izipetto, ótimo mês para todos
02/04/08

segunda-feira, 31 de março de 2008

Amazona

Roupas justas como rédeas curtas
Realçam teu contorno
Sobre a montaria
A sela é o elo de ligação
Na fêmea que conduz
A fêmea que trota
Nas quatro direções
Crinas se misturam aos cabelos
Todos longos a desenhar
Ondas de desejos pelos passeios
Sem terrenos a lhe controlar
Olhos para frente, sem arreios,
Arroubos de galope
A empinar
Cavalga em caminhos abertos
Mas trilhas ainda não vistas a atrai
Corpo de mulher a acompanhar
A gangorra dos cascos
Som de agogôs no pasto
Chicotes de vento no olhar

Edman Izipetto
31/03/08

quarta-feira, 19 de março de 2008

Lua de Páscoa

Ela apareceu
Nesta tarde fria
Como que comida
Levemente mordida
Um doce deixado à deriva
Viajando pelas nuvens
Que levam o tempo quente
Para outro hemisfério
Trocam a roupagem
Dos galhos e dos armários
Douram de cobre
O amarelo laranja do entardecer
E na crescente estação
Na brincadeira de aparecer
Vai rolando na imaginação
Da gente ver e não ver
Como são os dias de então
Quentes sem aquecer

Edman Izipetto, ótima chocolatada para todos
19/03/08

terça-feira, 11 de março de 2008

Numa forma de carinho

Numa forma de carinho
Deixo minha marca
Sem baton ou gloss
Mas do ar expulso dos pulmões
No choque térmico quente/frio
Faço a aureola circular
De palavras por decifrar
Sílabas mudas riscadas
No vidro embaçado pelo meu ar
Numa forma de carinho
Um beijo de mansinho
Boa noite e até mais

Edman Izipetto
11/03/08

sexta-feira, 7 de março de 2008

Quem é

Faz que não quer
Como se não interessada estivesse
Desdenhando do objeto
Para nas suas artimanhas conquistar
Faz que não vê
Como se não olhando o focasse
No canto dos olhos
Sem se entregar na cor da face
Faz que não sente
Como se não tocada fingisse
Desviando as mãos
Com o magnetismo de atrair a atenção
Faz que não diz
Como se muda todos a escutassem
Silenciando o discurso
De palavras torrenciais de encharcar
Faz que não faz
Como se esperasse atitude de encanto
De um príncipe, sapo ou malandro
Que a trate como rosa de dia
E dama-da-noite sob a Lua
Quem é esse ser
Artigo: A
Gênero: F
Classe: Mulher

Edman Izipetto, ótimo dia universal
07/03/08