terça-feira, 7 de outubro de 2008

Outubro

Chove sem molhar
Sol sem esquentar
Frio sem machucar
Vento sem desfolhar
Flores para todo lado
Cores em todo canto
Perfumes do coito
Cheiros de amores
Vapores de encanto
Mês dos encontros

Edman
07/10/08

domingo, 7 de setembro de 2008

Nine

Adolescente morena
Carnuda mulher madura
Esta lua crescente em teu rosto
Sorri para meus olhos
Na gestação deste amor
Severa e brilhante
Chorosa saltitante
Tempero frisante
Das receitas do dia a dia
Das folias sem rotina
Das magias sem cortina
Descerrada dos padrões
Na fácil alegria de viver
Por entre rimas difíceis
Tua risada gostosa
Não me canso de ouvir
Tua risada, gostosa

Edman
07/09/08

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Passagem

Um respiro
E a vida muda por encanto
Muda tanto
Que feliz quem parte
Sob um aro triunfante
Halo íris
A vista de todos
Porta aberta
Colorido túnel do tempo
Saudando quem parte
Esperançando quem fica
Festejando sem pranto

Edman
29/08/08

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Morena

Oito infinito
Teu desejo afoito
Draga meu medo
Engole meu seco
Encharca meu coito
Quantas vezes de quatro
Muitas febres de luxo
Nesta vontade e refluxo
Nestes sons de tempos
Eu te conheço por dentro
Tu me reviras do avesso
Quando exclamas o gozo
Gira os olhos sem jeito
Reclamas de mais movimento
Sugo com fome teus peitos
Adentro teus profundos pensamentos...

Edman Izipetto
07/08/2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

À distância

Fossem os dias tão secos
E este ar sem umidade
Meus olhos vermelhos
Entregariam minha saudade
Passados muitos dias
Poucas horas na verdade
Não sei se o frio que sinto
É do bafo polar que a cidade invade
Ou da falta dos seus dedos
Nos meus cabelos
A desembaraçar minhas vontades

Edman Izipetto
10/07/08

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sete vezes

Não há pecado que não valha a pena
Nem virtude que não se desafie
Nem arte que não desperte a divindade
Nem energia que não ative um dos chakras
No prisma as cores despem-se
Ao som das notas que se repetem
Durante uma semana decantada
No mundo antigo cada dia é uma maravilha...
Vai procurar na Cabalah o que significa
A vitória sobre a morte
E nos escritos sagrados
O Deus dos Exércitos
Anuncia pelos Elementais
Que as taças do Egito
Serão servidas pelo vinho cíclico
Do mágico número

Edman Izipetto
07/07/2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Resplandece

Voa quetzal
Resplandecente ao teu ninho
Nicho de relíquias
Resquícios
Da eterna primavera
A colher e procurar
A Monja Blanca
Testemunha encapuzada
Nas florestas do Tikal
Do sumiço dos Maias
Antes que ibéricos impunes
Cobrassem pela civilização


Edman Izipetto, ótima viagem à terra dos vulcões dormidouros...
30/06/08

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Brinde

Entre nós duas taças
Refletindo nosso lume,
Repercutindo sibilante
O que sentimos sem falar;
Entre nós as duas taças
Ampliam nossa visão.
E as mãos que se acariciam
Juntas são um mesmo pêndulo
A correr com o tempo
Atiçando nossa paixão;
Entre nós as duas taças
Vão se completando,
Trocando a transparência
Pelo tinto da existência,
Pelo bouquet de um beijo
Cabernet franc semillion;
Entre as taças
Nossas bocas
Marcam o cristal
Degustam o vinho
E o licor do nosso tesão;
As taças se tocam
Nossos lábios se roçam
Nossos cheiros se trocam
Misturam-se líquidos
Entre tantos desencontros
Brinde a este encontro
De boa safra, de boa cepa.

Edman Izipetto, uma vida inteira para namorar que isto é bom demais...
12/06/08

Nós

No princípio um olhar
De onde veio primeiro
Um segredo do destino
Que não cabe disputar;
Quantos brilhos
Na transparência lapidada
Em formas e cores,
Numa jóia sem retoques
De palavras ditas,
Escritas em frases curtas;
Confissões postas à mesa:
De experiências,
Desilusões,
Alegrias sentidas,
Mesmo na solidão
Da distância entre mundos
Tão parecidos e tão diferentes;
O som do violão
Tocou mais que Bossa Nova,
Queimou as tamancas,
Mesmo que aprendiz,
Viajou pelo samba,
Gafieira e quadrilha,
Sob Lua cheia
Até um tango ensaiou.
Viu o mundo de estrelas
Neste ato de cena,
Sem cortina, sem figurino,
Nós dois no palco
Como um só,
Monólogo de carícias
Nos prazeres, dos prazeres,
A fundir nossas vidas
A talhar novos enigmas
Na trama dos fios
No tear deste amor

Edman Izipetto, ótimo dia dos namorados
12/06/08

sábado, 7 de junho de 2008

Six

O que é meia volta do relógio
É a metade de um tempo
Meia dúzia de razões
Para se ter toda emoção
Quando só se percebe o que passou
Parando e contando
Refletindo
Porque passou sem perceber
Tal intensidade de viver;
Seis Luas crescentes
Como um anzol no céu
A fisgar os frutos do amar;
Seis Luas cheias
Desvendando as sombras de araucárias
E o fogão à lenha a crepitar;
Seis Luas minguantes
Como um sorriso a se deitar
No horizonte de lençóis
Seis Luas novas
Na escuridão de se recomeçar
Como se fosse a primeira vez
E mais seis, e mais seis,
Seis, six, sax, sex…

Edman Izipetto
07/06/08