segunda-feira, 18 de junho de 2007

Livre para olhar

 
Quando aquele olhar
Que te fisgou
Deixa de te refletir
Pára de te inibir
É tempo de solidão
De deixar pelo corrimão
Ás rédeas do coração
Que um olhar até então
Direcionou.

Quando aqueles olhos
Que te penetraram
Até o profundo do teu existir
Tornando cinzas em fogos,
Que lhe derreteram
Todo o teu desinibir;

Quando esta visão
Vira desilusão
É o inverno que se aproxima
Tempo de se recolher
Coisa de se guardar
E se conhecer
Reaprender a ver as próprias cores,
Sentir graça nas próprias dores,
Quebrar as amarras e voar
A liberdade dói
A solidão corrói
E o amor convém
Como outra estação
Com certeza é a que vem.

Edman
18/06/2007

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Aquela


É que a dor
De sentir a pontada
De uma adaga
Sem esperar
Como de repente
Do seu peito
A navalha
Viesse de dentro
Rasgando
Sem que se visse
Apenas sabendo
Que algo está para revelar
Trazendo de dentro
Ossos, músculos, nervos
Sangue e vida
Jorrando à toa
Sem rumo
Desperdiçando células,
Entornando átomos
Dos nêutrons vividos no idílio.

14/06/2007

terça-feira, 29 de maio de 2007

Sentimentamente

Saudade é a vontade

De não existir
De sempre trazer na memória
Uma imagem, uma palavra,
Não importa tantos anos,
Não implica quantas distâncias,
Não adianta o lugar;
Saudade machuca, cutuca
É um espinho de flor,
Fura a pele, sangra,
Mas sempre perfuma
Sempre deixa uma cor.
Para recordar
Saudade não tem hora,
Chega às vezes como temporal,
Levanta raízes
Arranca das entranhas
Sentimentos tão presos
Que não se sentiam mais.
Às vezes é calmaria
Deixa as coisas tão quietas,
Imóveis e mortas
Que parece congelar.
Saudade é aquele friozinho
Doído e gostoso
Que deixa um vazio
Que rega os olhos
Aprisiona no ar.
Lembrança de um gesto,
Ouvir uma canção sem tocar.
Boca que não abre
Com medo de chorar.
Saudade só é boa
Quando sem mais, à toa,
O motivo dela, a sua razão
Aparece alegre
E deixa o coração da gente feliz.                    Edman 29/05/07

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Há beleza neste dia cinza porque eu estou com você

É disso que eu preciso
Preciosamente um carinho teu
Mesmo que seja escrito
Mesmo que não ouça a tua voz
Mas que eu leia o teu nome
Neste remetente correio
Porque neste instável tempo
Você arrumou um minuto
E fez toda esta angústia passar.

Neste dia frio e chuvisquento,
Lá fora e aqui dentro de mim
Porque tudo o que eu sinto,
Dentro desta tempestade
De homem que sempre segurou,
Camuflou, escondeu, encarcerou,
E está feliz em demonstrar,
É que sofre, chora e esbraveja,
É de ver tudo cinza sem você
Porque saudade dói,
Mesmo depois  de dois dias,
Nem precisa mesmo um dia,
Quando sei que vai demorar
Para vê-la novamente me olhar
E colorir meu dia,
Pintar nossa vida.
Você é minha luz
Neste túnel de afrescos.

edman,
23/05/07

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Dia de Índio

A água ácida
Desbota as tinturas,
O rio não é mais lugar de banho não,
Peixes mercúrio
São o termômetro da vida,
Teimam em subir
A nascente que jaz sem ritmo.
O arco é trocado pela aguardente,
A mandioca pelas fritas
E a caça é de turistas,
Ambientalistas e especialistas
Muito bem vestidos para entender
A nudez da perda da inocência.

Não é dia de liberdade,
Aquela que respeita os elementos,
Acorda quando é preciso,
Dorme quando necessário,
Mata para comer, ou defender,
Nunca pelo prazer,
Nunca sem motivo.

Edman 19/04/07

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Se ainda não disse

Se ainda não disse,
 Que eu te amo,
 Não foi engano,
 Nem tão pouco um plano
 Para te magoar,
 Mas se falei
 E não gravei,
 Então falhei
 Ao dizer que eu te amo
 Sem gritar.
 Mas se apenas não disse,
 Eu te amo
 Nos últimos minutos,
 Então ainda há tempo,
 De lhe olhar nos olhos,
 De enxergar sua alma,
 De lhe trazer para perto,
 Roçar seus lábios e,
 Finalmente balbuciar:
 Eu te amo.
  
 edman 09/04/07

quinta-feira, 8 de março de 2007

Lado feminino

 


O lado feminino do mar,
São as marés,
Toda a profundidade,
Toda a salgada doçura,
Não ditam as regras,
Nem permitem a seus seres
Prosseguirem a existência,
Autorizarem as naus
A riscar suas tormentas.

O lado feminino do sol
É a luz,
Embora todo o gás
E o fulminante calor,
Quem anos-luz de transporte
É a luminosidade
Que aquece e transforma,
Clorofila e colore,
Fertiliza e consome,
Cria o dia e a noite.

O lado feminino do amor
É a paixão,
Que deságua em marés,
Que aquece em luz,
Que recua,
Que anoitece,
E que nua, acontece,
Seduz.

Edman

08/03/2007

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

É ruço ou russo?

Talvez lá pelas tantas,
Ao redor do samovar,
Depois de algumas glasnost,
Com gelo da Sibéria,
Possa se dançar um “barishinicovi”,
Ouvir uma polca no Kremlin,
Detalhar a Perestroika,
Cutucar os yankes,
Vestir-se de marta,
Dar um abraço urso,
Trosticar sobre a dor de cabeça
De investir em futebol
Na latina América.

                        Edman Izipestovscki
20/10/2006

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Luz de vela

Na mesa,
Apenas um canto
Não está vazio
Onde um solitário prato
Fumega lembranças
Discordâncias e sorrisos;
A taça não transborda,
Apenas recorda,
Translúcida,
Os bouquets de safras
Corretas, encorpadas e faceiras;
A pálida luminosidade,
Ainda que fraca
Trêmula da vela,
Atinge a todos os lados
Sem sombra.

Edman
23/08/2006

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Ana

É prefixo, é sufixo
Ana é nome próprio,
Ana é de Leão
Não é mole não,
Segura peão,
Foge que vem rugido,
Espera que vem carinho,
Ana de caras e bocas,
De baladas e tão poucas
Tequilas ou vodkas,
Livros e estradas,
Ana não é fácil não.
02/08/2006
Edman