Umidade fina e delicada
Como açucar de confeiteiro
Você não segura nos dedos
Mas ela os envolve e marca;
Como seda tecida em tricô
Ainda é um carinho na pele
Mas deixa hematomas
No conjunto de seus nós;
Torna a miopia democrática
Todos são clarividentes
Apenas vultos são vistos
Tão pertos como sustos;
Todas as mulheres são noivas
Todos os homens pais de santo
Todos os sons longínquos
Todos os gritos surdos;
Toda tecnologia é pouca
Toda correria é louca
Nesta neve barroca;
Nem o fogo arde a contento
É mais aura ao vento
Lamparina estrábica
Lua cheia eclipsada
Relógio estático no tempo
Numa tarde toda de neblina apocalíptica.
Edman
16/09/2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Amor em Sampa
O amor está no ar
Mesmo na inversão térmica
O amor está parado
Na esquina da Ipiranga com a São João
O amor está molhado
...Marginal nos túneis congestionados
O amor é barulhento
Na Rebouças com Faria Lima
O amor é boemio
Na Santa Vila Madalena
O amor é fashion
Na semana da Paulista
O amor é in
Na baixa Augusta do centro
O amor é panorâmico
No Terraço do Itália
O amor é massa
Nos cantos do Bixiga
O amor é independente
No Parque da Independência
O amor é arte
No vão livre do MASP
O amor é com sotaque
Pelos lados da Moóca
O amor tem sabores
Nas baias do Mercadão
O amor tem cores
Nas flores do Ceagesp
Como não há amor em Sampa?
Edman
Mesmo na inversão térmica
O amor está parado
Na esquina da Ipiranga com a São João
O amor está molhado
...Marginal nos túneis congestionados
O amor é barulhento
Na Rebouças com Faria Lima
O amor é boemio
Na Santa Vila Madalena
O amor é fashion
Na semana da Paulista
O amor é in
Na baixa Augusta do centro
O amor é panorâmico
No Terraço do Itália
O amor é massa
Nos cantos do Bixiga
O amor é independente
No Parque da Independência
O amor é arte
No vão livre do MASP
O amor é com sotaque
Pelos lados da Moóca
O amor tem sabores
Nas baias do Mercadão
O amor tem cores
Nas flores do Ceagesp
Como não há amor em Sampa?
Edman
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Plástica
O sorriso do gato de Alice
São traçados assimétricos
Nas sombras pintadas de garras,
Na multiplicação da gargalhada,
No desabafo de ingratidão;
Das lágrimas cinéfilas
Aos livros de além chão;
Uma garrafa é um Carrara
Esperando seus dedos na composição,
Restos de caçamba
Transformam-se em cerâmicas assadas
Nas altas temperaturas de tuas mãos;
Nas sobras emaranhadas de metal
Corre a eletrostática de formas
Na mistura de cores primárias
Passeiam nus em janelas centenárias,
Viajam figuras aladas
Para além da imaginação.
Maio de 2010
Das boas coisas da vida
Conhecer o que se é para ser entendido
Vai muito além de um livro já lido,
Está na releitura das letras garrafais
Distorcidas pelas lentes potentes
De viseiras escuras, vendas impostas,
Pelo tempo relativo de nossas mentes;
Da pena aos pincéis,
Das escumadeiras aos tonéis,
Uma tela é uma travessa
De cores fortes de uma paella,
E a cultura é um risoto úmido
Acompanhado na bodega
Pelo azeite adstringente dos gregos,
Pelo tinto encorpado dos romanos,
Na origem de todo este conhecimento
Enriquecido das ervas do caminho,
Das escrivaninhas e seus pergaminhos,
Da sabedoria clássica dos botecos,
Da solidão parnasiana dos bordéis,
Da paixão presente pela história
Das boas coisas da vida.
Maio de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Sinuosa
Enfeitiça com o olhar sibilante
Sem fixar, de soslaio, sem deixar de ver,
Fogosa...
Enrosca-me em brasa marcante
Deixando sulcos no couro,
Respingados de suor e espumante;
Que a boca aguarda
Teu cheiro de fêmea jovem experiente,
Teu gosto de desejo e gozo
Escorre por entre minhas vontades,
Penetra em meus sentidos
Qual um somellier a degustar teus sabores;
Teus gemidos de sinos e guizos
Aguça meu ouvido musical,
Qual maestro a escutar seus tons
Na gargalha de prazer satisfeita;
Pronta para mais um desfile,
Pronta para mais um tremor de vida,
Para mais um repicar insano de vida.
Edman
07/02/2010
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Maria Inês
Da Costa dos Abreus
Dos Gomes de Sá
Dos Orleans e Bragança
Da fauna lusitana
Da fauna indígena
Dos bichos domésticos
Dos insetos decréptos
Dos roedores indigestos
Da boa taça
Da boa praça
Maria Inês
Da Graça da madrugada
Edman
17/12/2009
Cuca
Giratória de palavras
Roda Gigante de assuntos
Leque de páginas
Rolo de películas
Fome de consumo
Sede de soturno
Pés de noturno
Ouvidos de soprano
Sorriso de maluca
Idéias sãs
Pensamentos vãos
Cuca fresca
Coração caliente
Edman
17/12/2009
Ana Elisa
Arrume um jeito
Arrume as teles
Arrume os talheres
Arrume um baseado
Arrume um copião
Acenda a luz negra
Acenda a tela
Acenda a bela
Que o retrato captou
Ana dos clássicos
Elisa da brisa
Oriente da direção
Edman
17/12/2009
Solange
Tua voz grave
Alimenta os cartões
Os almoços mortais
Das rotinas semanais
Dos encontros de gravata
Dos vestidos de tayer
Nos jantares sem pauta
Libera a alma penada
Se aquece de piña colada
Para em sorriso se derreter
Mais Sol, menos Angel
Sempre guerreira
Edman
17/12/2009
Joe
Recolhe pedaços de histórias
De outras que passam
Flashes de inspiração
Cabides de decoração
Ferros retorcidos em deuses
Pedras talhadas em musas
Estantes em miniaturas
Cristaleiras de coloridas taças
Um auto-retrato sem autor
Um óleo sobre o prelo
Uma xilo sobre o velho
Um espelho para a moça
Que passeia de sombrinha
Atrás do guarda-louça
Edman
17/12/2009
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