terça-feira, 16 de outubro de 2007

Seguir

O que é esta coisa de caminhar
Sempre andar para não parar
Como se fosse um tubarão
Que se afoga ao dormir
Quem pode te condenar
Se uma pausa há de te seduzir
Se parar também é sorrir
Um segundo ouvir o coração
Seguir também é retornar
Com todas as lembranças a enfrentar
Sem obrigação de algumas resolver
Sem a chatice de outras desenterrar
Seguir é parar no lugar
Na sombra que alguém já quis
Tomar um trago e planejar
O tempo que já não me fiz
O momento de algo festejar
Seguir é não cumprir planos
Se há tempos são desenganos
Que a ilusão tentou programar
Que esta coisa de caminhar
É uma pegada por vez
Deixada no chão e na tez
Sem esquecer de sonhar

Edman
16/10/07

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Colores colares

O que será que me sente
Do que será feito este ente
Doce mistério
Enigma ébrio
Como ler suas linhas
Talhadas em tatuagens
Peçonhas e pessoas
Fernando de poemas
Com rimas de solidão
Histórias de gratidão
Vontades de paixão
Parece que quer sentir
Carece de ter que partir
Para além do oceano
Do mar que lhe cobre os planos
Velas e remos de desenganos
Que as tempestades já foram mais
Que seus desejos não façam o cais
Perder-se em calmaria
Afundar sem ventania
Apenas por deixar de soprar

Edman
15/10/2007

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Lume


Será que é real
Acreditas ser banal
Mas que cor devo te olhar
Será que é verde céu
Ou azul do mar
Será que há nuvens
Será que são cardumes
Quantas asas há de ter
Quantas braçadas há de dar
Será que anoiteces
E uma lua deixas brilhar
Será que escureces
E das profundezas vem assustar
Será que irradias
Todas as cores que possa dar
Será que seus dias
É sempre um sol a trilhar

Edman
09/10/07

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Perfil

A quem me perguntar:
Quem sou eu?
Talvez queira saber
Que a resposta não vai ter,
Se por acaso não me olhar;
A quem quiser se interessar
Pelas coisas que tenho pra contar,
Precisa ter paciência,
Não tanto para me ouvir,
Talvez um pouco para me ler,
Nem precisa muita inteligência,
Basta não me interromper;
A quem quiser me sentir,
Não precisa se enfeitar,
Não carece de se educar,
Basta apenas não mentir,
Basta apenas não me faltar;
A quem quiser comigo andar,
Não quero ninguém a me seguir,
Nem preciso de alguém a me guiar,
Basta me olhar e sorrir,
Decidir lado a lado e caminhar.

Edman 03/10/07

Azul

O teu olhar
Reflete o mar
Espelho do céu
De tanto sonhar
Andar ao léu
Na tua arte de projetar
Cálculos de acertar
Brincadeiras de montar
Cidades inteiras a teus pés
Mulheres faceiras na tua fé
Cabeça na lua
Palavras de mel
Desenhando na rua
Trilhas nuas
Caminhos do teu olhar

Edman
03/10/07 Parabéns meu filho, uma das melhores poesias que eu pude contribuir

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Folhas mortas

As folhas que o vento não levou
Grudaram no chão que pisei
Assentadas pela umidade
Das lágrimas que já chorei
Mas há folhas brancas a preencher
Com pensamentos de não querer
Tanta água assim a derreter
Folhas mortas no chão que pisei
Não recolhi este lixo
Não escrevi este nicho
Talvez por meditar demais
Quem sabe relembrar o algoz
Das folhas mortas que não limpei
Das letras vivas que coloquei
Em folhas vazias que desenhei
Palavras fortes que lembrei
Para limpar folhas mortas que pisei
Novas trovas eu criei
Para enxergar folhas novas
Outras sombras nos caminhos
Novas formas de carinhos
Com espinhos sem desistir
Folhas mortas no chão a dissolver
As pegadas que um dia vou esquecer
Quando folhas novas eu escrever

Edman
02/10/07

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Quantas Luas

Era Lua cheia
Quando eu não via nada
Minha alma
Era cheia de mágoa
Salpicada de pólvora
Sem nenhuma combustão
Era Lua cheia
Quando eu não sentia nada
Minhas mãos
Eram duras e pesadas
Sem linhas ou calos
Sem nenhuma profissão
Era Lua cheia
Quando eu farejava o nada
Sem essência ou perfume
Nem um rastro exalava
Era um cheiro de nada
No vácuo da percepção
Era Lua cheia
Quando minha boca azia em brasa
E os sabores da minha casa
Nem tempero ou solução
De Modena ou apimentada
Balsâmica ou batizada
Davam gosto ou digestão
Hoje a Lua é cheia,
Minguante, Nova ou Crescente
Todas no seu presente
Têm sua contribuição
Toda a vida é cheia
De sabores e tatos
De linhas e fatos
De olhares e falas
De odores e falhas
De acertos e motivos
De manias e cultivos
De amores fugitivos
De amores produtivos
Toda a vida é cheia
Toda a vida é
Toda vida é uma lua cheia
Que cresceu e vai minguar
Até a nova lua vingar

Edman  27/09/07
Ótima luas para todos...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Jardim

As folhas roxas da bouganville
Já estão pontuando o emaranhado
De galhos e espinhos pelados
Que balançam no meu cercado
O Manacá de perfume acentuado
Apresenta três cores de copas
O lilás de flores novas
O rosa da juventude
E o branco da atitude
Os camarões já foram refogados
Estão amarelos de sol
Sobras de amor-perfeito
Ainda teimam a florir na janela
Da cozinha de jantares perfeitos
Onde até a lavanda
Coloca suas lanternas coloridas
Do hibisco brotam vestidos rubros
De ciganas a encantar
Os colibris e sabiás
E do hibisco importado
Um diplomata educado
Taças de champagne
Já se desmancham no ar
A imperial palmeira
Veste-se de novas plumas
Bate palmas para as brumas
Como se fosse rezar
E um pequeno espinhudo
Apesar das pedras e de tudo
Lança gotas tintas de perfume.

Edman, nunca uma primavera foi tão bem vinda como esta, ótima estação para todos
20/09/07

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Decisão

Eu vou seguir minha jornada,
Não importa qual porta foi fechada,
Nem se há alguém a me espiar;
Já é passado o tempo da espera,
É tarde, estou indo, é primavera,
Você pode ficar e esquiar...
Nesta geleira que virou o seu amar,
Nesta dureza de carinho que te basta,
Na confusão do teu caminho a tomar,
Na claridade enganadora que te castra,
Sem proteção você vai cegar;
Eu vou colher as flores que plantei,
Não vou escolher cores que não têm,
O perfume que me traga,
O cheiro que me agrada,
Feliz assim por me realizar,
Completo assim por me amar,
E colher mais sementes,
Espalhar mais contente,
Novas flores para o tempo que virá.

Edman 11/09/07

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Vento Sul

Há um toque de saudade
Em todo lugar que vejo
Não sei se é maldade
Desconheço este ensejo;
Melancólica forma de viver
Abrir os olhos sem querer
Dormir sem vontade de apagar
Acordar sem ânimo de despertar;
Um frio arrepia minhas costas
Por um instante lembro do prazer
Do carinho que qualquer um gosta
Mas é apenas tão rápido
Mal e poucamente depressa
Transforma-se em compressa
Para uma nova dor a aparecer
E rego minha face
A miopia não mais me embaça
Do que as rebatidas do meu coração
Bombeando imagens para a cabeça
Pensamentos de pó e desavença
Num funil de furacão
Que misturam boas idéias
Com momentos de tensão
Deixam meu lirismo tenso
Deixam minha libido sem tesão
Não sei que saudade é essa
Que não me traz boa recordação
Será que era o amor que tinha
Ou amor é mesmo uma ilusão.

Edman 06/09/07