sexta-feira, 13 de julho de 2007

Hoje é dia de voar

Levante desta empacada modorria,
O que importa se a palavra não se grifa,
A magia também é desconhecida
O que não quer dizer que não exista,
É noite para tirar a vassoura
De trás da porta
E mergulhar no infinito
Da imaginação
Dos caldeirões de nossas rotinas
Buscar o elixir das visões
Dos chapelões que nos encobrem a retina
Espalhar alegria, paz e canções.

Edman
Sexta-feira, 13/07/2007, lua nova

terça-feira, 10 de julho de 2007

Sob a lua cheia

Redonda
Em volta da fogueira,
As cordas são afiadas
As adagas são recolhidas,
As idéias são esquecidas,
As vidas,
Os violões,
Pelos dedos certeiros
Tocam o desespero
De sofrer sem sentir dor,
Palmas, palmas, palmas,
É o ritmo que sapateia,
É a dança que serpenteia,
Pelos destinos das mãos,
Lenços nas cabeças,
Ouro nas orelhas,
E o olhar de sentir dor,
Nas linhas das mãos
Que apontam suaves
Para todos os lados
Para todos os reis,
Cartas são lidas,
Amores são vidas
Destinos são luz,
Da fogueira que arde,
O vermelho de Marte
Vem vestir seus roupões,
E como o luar
Que atravessa a escuridão
Os ciganos também vão
Procurar outra estação.

Edman  10/07/2007

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Viagem

Esqueci de cantar
As músicas que eu gosto,
Não lembrava mais
De dançar ao relento,
Não cuidava a contento
Dos meus jardins;
Mergulhei no esquecimento
Das pedras que fiz
Do escolhido caminho;
Eu corri das amarras,
Derreti aquelas barras
E fui dentro de mim;
Viajei até meu infinito,
Conheci meus limites,
Aprendi meus defeitos,
Entendi meus erros,
Não me perdi:
Perdoei, amei,
Hoje eu canto sem medo,
Hoje eu danço no fogo,
E ninguém mais
Vai me separar do que plantei.

Edman 05/07/07

terça-feira, 3 de julho de 2007

Temperos

O fogo transforma
Toda forma de amar
E libera, aos poucos,
Os vapores de além mar;
Fumega o azeite,
Virgem de calor,
Estrila o alho
Dourando de pudor,
Refogam os tomates
E as alcaparras do pescador,
Pimenta, caliente,
Provoca mais ardor
O perfume mudando,
Acredite em mim,
Cores transformando
Defume o alecrim;
O fogo, de brando,
Requebra a salsa,
Sapateia o tomilho,
Convida a sálvia,
Permite o estragão;
Mantendo o calor
Sem a chama arder,
Salpica o manjericão;
Sabores amargos,
Doces sensações,
É hora de rever o sal
É tempo de cheirar
Além dos vapores
E acrescentar
O açafrão.

Edman 03/07/07

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Abismo

No degrau do ar deste penhasco
Onde a música é o vento que assobia
A visão do mal são os buracos
Onde os ecos ecoam dos gritos da harpia;
Vou escalar estas paredes,
Vou revelar estas sombras,
Descobrir cada fresta,
Dormir em cada toca,
Desafiar em cada encosta
A arte de enfrentar
As quedas d'água,
As pedras soltas,
As rochas podres,
Até encontrar
Aquela fonte,
O ninho fértil,
A flor exótica,
E o lugar
Onde o sol não se esconde.
02/07/07 edman

terça-feira, 26 de junho de 2007

Passagem

O outono despiu minha primavera,
Que cerca e escala minha morada,
Mas ela não se fez de rogada,
Cobriu-se de violeta
E protegeu-se da invernada.
O hibisco sofreu mal súbito:
Perdeu um filho todo
Para algum inseto alado,
Mas não desistiu de nutrir
Os colibris e assanhaços
Pariu do fundo outro emaranhado;
As lágrimas-de-cristo secaram
Deixando galhos secos
Retorcidos na minha entrada,
Qual caverna escura
Sem saída e chegada,
Tesoura nestes restos de cor
E apoio aos jovens galhos de flor;
A jardineira estava cheia de mato
Esqueci que a terra é sagrada
Não desperdiçar nem mesmo um quadrado
Agora alfazema, colônia e lavanda,
Manjericão e sálvia perfumam a varanda.
O sol voltou a aquecer
O corredor da minha vida,
A luz voltou a mostrar
Outras cores esquecidas,
Sem medo que desbotem
Sem razão que não se notem
Com a coragem que se toquem.

Edman
26/06/07

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Lágrima

Enquanto vejo o sol
Descansar nas nuvens
Vem tingir de cores
Meu entardecer;
A brisa forte e fria
Vai levando a alegria
Para meu interior;
Sinos de vento
Tocam seus rebentos
Como notas de adeus
Há folhas de mortalha
Voando pelas linhas
Encaracoladas
Como os cabelos meus,
Que tentam reter
Aquela festa
Aquele beijo que não esqueci

Enquanto olho o sol
Derreter nas nuvens,
Não dá para enganar
Um coração triste
Pelo dia que se vai
Riscado pelos ventos
Lambido pelo tempo
De não querer partir;
É mais um poente
Na visão carente
De um não sei o quê;
Olhos embaçados
Mente sem destino
Ouço mais um sino
Dentro do meu ser;

Deixa eu chorar,
Até secar todo esse mistério,
Quero gritar,
Até calar todo esse silêncio,
Deixa eu cantar,
Até espantar esse ar funério,
Quero sorrir,
E afugentar essa tristeza,
Deixa eu chorar,
Até que lágrima vire um mistério,
Quero juntar
Toda essa água e me lavar.

Edman
25/06/07

quinta-feira, 21 de junho de 2007

À Lua

O sorriso do universo
Está além de um verso
Acima de nossas vistas
Escondido no horizonte
Mas de meu quarto
Onde o vidro deixa entrar
Vejo este sorriso se por
Toda essa semana
Acalmando todo drama
Transformando a fase nova
Numa crescente luz
Anunciando o solstício
Profetizando o armistício
Na abertura dos portais
Em toda essa semana
Essa luz banha meu quarto
Encharca minha cama
Acalenta minha alma
Afugenta minha tristeza
Mesmo quando, já amarela,
Vai se recolhendo nos contornos
Indefinidos dos eucaliptos
Uma réstia de esperança
Que garante a bonança
Após as tempestades do meu ser.
Bastou abrir a janela que escurecia,
Foi só tirar as vendas da angústia
Simplesmente sentar e olhar,
Para fora da janela
Para dentro de mim.

Edman
21/06/07

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Livre para olhar

 
Quando aquele olhar
Que te fisgou
Deixa de te refletir
Pára de te inibir
É tempo de solidão
De deixar pelo corrimão
Ás rédeas do coração
Que um olhar até então
Direcionou.

Quando aqueles olhos
Que te penetraram
Até o profundo do teu existir
Tornando cinzas em fogos,
Que lhe derreteram
Todo o teu desinibir;

Quando esta visão
Vira desilusão
É o inverno que se aproxima
Tempo de se recolher
Coisa de se guardar
E se conhecer
Reaprender a ver as próprias cores,
Sentir graça nas próprias dores,
Quebrar as amarras e voar
A liberdade dói
A solidão corrói
E o amor convém
Como outra estação
Com certeza é a que vem.

Edman
18/06/2007

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Aquela


É que a dor
De sentir a pontada
De uma adaga
Sem esperar
Como de repente
Do seu peito
A navalha
Viesse de dentro
Rasgando
Sem que se visse
Apenas sabendo
Que algo está para revelar
Trazendo de dentro
Ossos, músculos, nervos
Sangue e vida
Jorrando à toa
Sem rumo
Desperdiçando células,
Entornando átomos
Dos nêutrons vividos no idílio.

14/06/2007